Gastronomia e Cidades do Mundo

Curso de Vinhos: o que aprendi, mesmo constipada!

Curso de Vinhos: o que aprendi, mesmo constipada!

Após anos a provar vinhos de todo o Mundo, estava na altura de perceber o que andei a beber.

Lembro-me bem das vindimas com o meu avô Sintra, de ter experimentado ajudá-lo na apanha da uva com os meus irmãos e pais, de os ver pisar os cachos de uvas e esperar que o vinho ficasse pronto. Na altura era muito nova e não percebia muito bem como é que as uvas de repente se transformavam em vinho. Mas as garrafas apareciam à mesa para o meu pai provar, sem rótulo, mas com a certeza da origem daquele vinho. Hoje em dia, tenho dúvidas da origem de alguns vinhos bem conhecidos no mercado.

Mais uma vez optei por um curso da Academia Time Out, no mercado da Ribeira em Lisboa. É a segunda vez que faço um workshop com eles e adoro lá estar durante cerca de 3 horas. Como, bebo, divirto-me, aprendo e conheço pessoas muito interessantes.

O curso de vinhos com Manuel Moreira foi bastante esclarecedor e ainda por cima foi acompanhado com petiscos do chef Miguel Mesquita. Dupla muito boa!

Começamos por abordar que vinhos íamos degustar, sendo que os escolhidos para este curso foram todos do Norte de Portugal Continental, exceptuando o 8º. Sim, bebemos 8 vinhos e não os cuspimos como nas provas profissionais. Ainda bem que tínhamos água para disfarçar o álcool na pança..!

Aprendi que nas regiões mais frias se produziam vinhos com menos álcool e nas quentes o vinho fermentava mais, logo terão mais álcool.

Como estávamos a falar de vinhos nortenhos, mencionaram que na região de Monção (mais perto do mar), os vinhos são menos estruturados, são mais delicados e menos robustos que na zona de Melgaço (mais interior onde chove menos e onde tem maior amplitude térmica).

Antes de provar o 1º vinho, também nos foi explicado como a nossa língua funciona em termos de degustação. Estão-se a rir? Não se riam, foi interessante sentir o vinho em várias zonas da língua e tentar discernir alguns sabores.

Fonte: http://assentopublico.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

Pela ilustração, já dá para ter uma ideia onde sentimos os sabores.

Quanto ao primeiro vinho, o “Portal do Fidalgo“, de 2016, já o tinha provado no Restaurante/ Marisqueira Pinóquio. É um vinho agradável, que não adorei na altura, mas gostei, sendo que é 100% alvarinho e faz parte da Região dos Vinhos Verdes.

Neste curso, o vinho foi acompanhado de pão branco fresco e azeite com flor de sal e tomilhos. Este vinho é novo e tem uma cor clara. É leve (12,5% vol. de teor de álcool).

Na minha opinião, deve ser servido bem fresco, acompanha bem marisco cozido e tapas com ingredientes pouco temperados. Bom para um final de tarde tranquilo entre amigos.

 

O segundo vinho também era “Portal do Fidalgo“, branco, mas de 2011. Este gostei imenso. É mais amarelo devido ao seu envelhecimento, mas existem vinhos no mercado bem amarelos que não são de colheitas mais antigas, simplesmente são alterados pelo produtor. Na fotografia nota-se bem a diferença de cor do primeiro copo onde tem o vinho de 2011, para o segundo onde está o de 2016. Este vinho impressiona com a sua boa estrutura e notas florais e minerais.

  

Este vinho foi acompanhado de bola de carnes, que podem fazer na Bimby facilmente.  Mas que combinação tão boa.

Uma garrafa destas serviria como entrada num jantar de família, acompanhado de petiscos como cogumelos recheados (ainda não experimentei esta receita, mas vou experimentar), ou croquetes de frango.

O terceiro vinho provado foi o “Mont’alegre” de 2015, um vinho branco fresco mas com uma formação de aromas preciso, devido à sua maturação numa altitude maior.

  

Gostei deste vinho, mas o que gostei mesmo foram das bolinhas de alheira e morcela que o acompanharam. Serviram numa cama de chili doce que estava um estrondo. Não consegui arrancar a receita do chef, mas quando a descobrir publico aqui no blog!

Este vinho serviria acompanhado de broa recheada com enchidos numa reunião tardia, género ceia. Deve ficar mesmo bom!

O quarto vinho, o branco “Vinha Antiga” de 2015 é diferente dos anteriores. Aliás, são todos diferentes! Mas este é frutado e como foi maturado em madeira, o sabor é mais persistente e complexo.

 

Este vinho foi acompanhado de palmiers de pesto e presunto. Encontrei uma receita parecido noutro blog que obviamente vou experimentar!

O quinto vinho foi o que menos gostei, o “Mont’alegre” clarete, de 2016. Não detestei, mas como gosto muito de tintos, este não me seduziu. Ele tem uma cor tinta muito aberta, mais próxima do rosé do que do tinto tradicional. Tem uma acidez acentuada, mas é um vinho de aroma fresco.

 

O acompanhamento foi uma fatia de pão branco fresco, com MUITA cebola, que adorei, queijo leve e umas ervas que não identifiquei. Próximo se faz favor!

O sexto vinho já foi mais ao meu gosto, agora sim! Serviram o tinto “Grandes Quintas“, de 2014. Tem uma cor rubi deliciosa e apresenta um sabor frutado muito agradável.

 

Este óptimo tinto foi acompanhado com uma salada de rúcula, mozzarella fresca, amêndoas laminadas e chouriço vermelho migado. Salada muito saborosa. Nesta salada substituía o chouriço por alheira frita e desfiada. Penso que também ia ficar boa. Uma garrafa destas serviria num jantar especial… de corrida!!

O sétimo vinho a ser servido foi o maravilhoso “Quinta Valle Madruga” de 2015. Este vinho tem uma cor forte, com sabor frutado, mas encorpado. Tem um toque aveludado e persiste na boa quando o bebemos. Adorei!

  

O acompanhamento deste vinho foi divinal. O chef serviu cachaço de porco com batatas a murro, numa caminha de couve roxa cozinhada em laranja e cenoura. A esta altura já estava a ficar cheia e não consegui acabar o prato com muita pena minha. Pena também não ter levado o tupperware! Tinha valido a pena.

Esta garrafa serviria num jantar hiper romântico, acompanhado de uma perna de perú estufada, com arroz basmati e pinhões. Deve ficar bom!

Para finalizar foi-nos apresentado o vinho da Madeira “D’Oliveiras”, meio seco, envelhecido 5 anos em pipas de carvalho.

 

Este vinho é doce, forte, com aroma semelhante a caramelo. Interessante foi começar a comer a sobremesa e beber de seguida o vinho. A sobremesa era tão doce que o vinho apresentou sabor salgado. Muito engraçado!

A sobremesa era feita de bolacha migada no fundo, natas a meio, um doce de ovos esplêndido e umas amêndoas laminadas e torradas para finalizar a minha ida ao paraíso das sobremesas.

Adorei este curso de vinhos e quero repetir com vinhos de outras zonas do país. Diverti-me como sempre e conheci pessoas muito interessantes.

Até ao próximo curso!

 



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