Gastronomia e Cidades do Mundo

“Ah, eu não sei cozinhar”. Não sabes ou não gostas?

“Ah, eu não sei cozinhar”. Não sabes ou não gostas?

Já me deparei com tantas pessoas a dizerem que não sabem cozinhar… então o que comem? E se numa casa, em que um casal com filhos ou não, ninguém saiba cozinhar? Como fazem? E se forem solteiros?

Bem, ou comem enlatados, ou comem fora, ou comem comida já feita. Não vejo muito mais opções.

A grande questão é: não sabes cozinhar ou não te queres dar ao trabalho porque não gostas?!

Já foi moda entre as mulheres e ficava chique dizer que não tocavam na cozinha: “Credo! Que horror, isso é para donas de casa. Jamais pegarei numa panela, muito menos gastava dinheiro numa Bimby”. Felizmente, esta moda ridícula passou e quem diz que não sabe cozinhar é porque não sabe mesmo… ou não gosta.

Quem sou eu para criticar seja o que for. Até porque tenho uma mãe que sempre fez tudo em casa e cheguei à faculdade apenas a saber fritar um ovo e mal. Inúmeras vezes telefonei-lhe do meu tijolo (telemóvel de 1998), a pedir receitas com instruções. Sim, as receitas não chegavam porque eu não sabia o que era q.b. por exemplo.

Cheguei a dizer-lhe ao telemóvel que as batatas fritas tinham desaparecido da panela preta.. ups queimaram de tal forma que não as conseguia ver! Ou a fazer arroz em que tive que comer do tacho porque não descolava muito bem…!

Enfim, muitas aventuras de faculdade tenho para contar. Fui aprendendo com os outros a cozinhar, a observar quanto tinha de pôr de sal, quanto tempo tinha que ficar ao lume ou no forno, as quantidades necessárias só para uma pessoa, etc. O que me salvou imensas vezes foi o meu irmão João que me ía buscar a Setúbal às 6as feiras e me levava de volta ao Domingo com o carro cheio de comida feita pela mãe. Ou então quando me dava dinheiro extra para eu comer fora sem os meus pais saberem! Acho que vão ficar a saber agora!!

Cozinhar é como outra arte qualquer, ou se nasce com dom ou se aprende. No meu caso tive que aprender com aqueles que nasceram com dom. É verdade que gosto de estar a experimentar cozinhados novos, arrisco, erro muito, mas acima de tudo adoro dar de comer e beber a convidados. Adoro ter a casa cheia em que acabamos todos na cozinha a falar.

Quando morei em Telheiras num T0 minúsculo, cheguei a ter 30 convidados espalhados pela casa toda, incluindo o hall antes de entrar em casa. Foi muito engraçado. Adorava fazer lá jantares de Natal com os amigos que também ocupavam a casa toda. Outros tempos. Agora a casa é um pouco maior e quase nunca a encho, vou eu encher as dos outros.

Cozinhar aprende-se e quando se gosta luta-se por isso. Há pouco tempo fiz um workshop na Academia Time Out no mercado da Ribeira em Lisboa de comida Oriental que não fazia ideia do que era. Aventurei-me mesmo sem saber do que se tratava, desde que não tivesse alcachofras, detesto.

Aprendi a cozinhar comida que já tinha provado noutros países mas que nem sequer sabia como se chamava. Foi muito giro, diverti-me imenso com a minha parceira de cozinha Carla que me atribuíram e o chef Miguel Mesquita (e sua ajudante). A verdade é que com um chef a orientar-nos tudo parece super fácil, mas o importante é que aprendi e me diverti. Recomendo vivamente e voltarei a fazer mais workshops lá. Já agora o que aprendi a fazer foi Tabbouleh, Falafel e Baba Ghanoush. Quando fizer em casa, mostro-vos como fazer passo a passo.

O workshop é acompanhado com vinho branco o que ajuda a descontrair. Tive vontade de pedir para deixarem uma garrafa na nossa bancada, mas ía parecer muito mal e não me atrevi.

Valeu a experiência e como vos digo, se quiserem saber cozinhar vão aprender ou tenham paciência para estar junto a alguém e aprender por observação.

 

 

 

 



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *